Instinto básico de perpetuação das espécies, praticado de formas distintas por todas as manifestações de vida do planeta, a sexualidade tornou-se tabu quando os humanos modernos se fixaram à terra, formando grupos sociais que precisavam ser mais coesos e menos conflituosos, exigindo que seus membros abdicassem de parte da individualidade em favor dos interesses coletivos.
O sexo mobilizava, como ainda mobiliza, energias instintivas que extrapolavam limites corporais, emocionais, de vínculo e identidade, projetando o ser humano para além da racionalidade e, justamente por isso, tornando-se difícil de conter.
Para preservar a coesão, indivíduos que expressavam livremente o desejo passaram a representar ameaça às estruturas de posse, herança, filiação e hierarquia, despertando no grupo o impulso de controle, vigilância e contenção.
Fez-se necessário normatizar o desejo por meio de códigos de conduta. Em nome da ordem, instalaram-se a culpa, o silêncio e uma pedagogia do constrangimento, oferecendo maior previsibilidade social, menor risco de desorganização e, deixando os antigos agrupamentos humanos menos expostos a tensões internas e externas.
O problema é que, desde então, salvo raras exceções, nenhuma sociedade conseguiu integrar a natureza instintiva da perpetuação da espécie às regras sociais, mantendo a sexualidade confinada, há milênios, aos subterrâneos da clandestinidade comportamental.
O preço é uma relação fragmentada com o próprio corpo, na qual o desejo passa a ser vivido sob culpa e tensão. Pagamos com ansiedade, compulsões e afetos confusos, que distorcem a forma de nos vincularmos. Assim, criamos relações frágeis, sustentadas mais pelo receio do que pela escolha lúcida. Com isso, perdemos a oportunidade de converter a potência vital em maturidade consciente.
Durma-se com uma sexualidade dessa!






