Toda vez que apontamos o dedo para o outro, abrimos mão da maior força capaz de nos reconstruir: a responsabilidade por nós mesmos.

Começa quase sempre da mesma forma: dois olhares tensos e dedos apontados, como se a verdade tivesse dono. Cada um convicto de sua razão, cada um determinado a provar o erro do outro. E, nesse embate silencioso, algo mais profundo se instala.

O conflito aparente é barulhento, mas a perda real é discreta. Enquanto discutimos quem falhou, deixamos escapar aquilo que sustenta qualquer reconstrução: a própria força interna. Sem perceber, terceirizamos o comando da nossa vida.

É curioso notar como atribuir culpa oferece um alívio imediato. Quase um consolo. Se o outro errou, estamos livres. Mas a conta vem depois. E costuma ser alta.

A cada transferência de responsabilidade, diminuímos nosso campo de ação. Entregamos ao outro não apenas a culpa, mas também a capacidade de mudança. E, aos poucos, vamos nos tornando reféns das circunstâncias que ajudamos a sustentar.

E não se trata apenas de relações afetivas. Repetimos esse padrão com eventos, com o passado, com o acaso. Sempre há um culpado conveniente à disposição.

O resultado é um estado constante de fragilidade disfarçada. Uma narrativa interna que justifica, explica, mas raramente transforma. Seguimos, assim, protegidos… e limitados.

No fim, talvez o maior prejuízo não esteja no conflito em si, mas naquilo que abrimos mão enquanto tentamos vencê-lo. Porque há perdas que não fazem barulho, mas moldam destinos.

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Conheça o Jojo

Filósofo nas horas vaga, tem uma curiosidade inata pelo comportamento humano, realizando paralelos muito instigantes entre o ser humano e a evolução das espécies, tema sempre muito presente em todas as suas palestras e cursos, e muito apreciada pelo seu público.

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