A vulnerabilidade como força. Quando o olhar dirigido a nós mesmos ganha tolerância, compreendemos que existir não exige acertos contínuos

Há algo profundamente revelador no instante em que reconhecemos a própria vulnerabilidade. Ela não nos diminui. Ao contrário, suspeito que nos humaniza. Quando aceitamos nossas fissuras, a lente com que observamos o mundo torna-se menos rígida, e o olhar dirigido a nós mesmos ganha tolerância, como quem entende que existir não é sinônimo de acerto contínuo.

A busca pela perfeição, em alguns, aparece como impulso criativo, força motriz, desejo legítimo de lapidar talentos. Em outros, pode transformar-se em fardo silencioso, uma cobrança constante que raramente concede trégua.

Superar limites é atributo nobre. Aprender, refinar habilidades, ampliar repertórios e tornar-se mais cooperativo são movimentos que elevam a convivência e enriquecem a trajetória.

O problema surge quando a busca do aprimoramento perde a tolerância consigo e com o outro. Quando a régua interna sobe demais, o progresso deixa de ser convite e passa a ser imposição. Aí, o esforço que poderia nutrir passa a drenar, gerando frustração, irritação e um cansaço difícil de nomear.

A obsessão pela excelência, vista de perto, cobra juros altos. Ela cria a ilusão de que nunca é suficiente, de que sempre falta algo, mesmo após grandes conquistas. Nesse terreno, a relação consigo mesmo pode tornar-se árida, marcada por cobranças que não educam, apenas ferem.

Talvez amadurecer seja aprender a dosar. Crescer sem se violentar. Não há fórmulas prontas para isso, apenas ajustes contínuos. E, quem sabe, um pouco mais de tolerância com o humano que somos.

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Conheça o Jojo

Filósofo nas horas vaga, tem uma curiosidade inata pelo comportamento humano, realizando paralelos muito instigantes entre o ser humano e a evolução das espécies, tema sempre muito presente em todas as suas palestras e cursos, e muito apreciada pelo seu público.

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