Os 4 cavaleiros modernos do apocalipse & seus filhotes ardilosos

Para mim, os quatro Cavaleiros do Apocalipse não são aqueles que galopam no texto sagrado. São outros, mais íntimos e mais modernos: Ódio, Ciúme, Inveja e Medo. Estes quatro não chegam berrando clarins — chegam de mansinho, um a um, como velhos conhecidos que nunca deveriam ter sido convidados.

Mas atrás deles, quase arrastados pelo vento, vem uma horda inteira. Uma turba ardilosa de emoções espessas, lentas e pegajosas, como lama emocional acumulada nos cantos da alma.

Vêm a Culpa ruminativa, a pastora de pensamentos tardios; a Vergonha que se enrola no pescoço como um lenço que sufoca pela frente e esquenta por trás; o Rancor fermentado, que se conserva na alma melhor do que qualquer vinho; o Ressentimento, irmão gêmeo da mágoa, ambos especialistas em guardar quinquilharias bolorentas que, há muito, já deveriam ter sido descartadas.

Há também o Desânimo, esse ladrão de alvoradas; a Apatia, que transforma dias inteiros em salas de espera; e a Desesperança, uma névoa fria que se insinua pelas frestas do pensamento.

Caminham juntos a Vaidade quebradiça, sempre pedindo aplausos; a Competitividade neurótica, que, mais do que vencer, quer destruir; e a Ambição predatória, que engole tudo sem mastigar.

No meio da multidão passam a Teimosia, travestida de convicção; a Frieza afetiva, que aprendeu a sobreviver congelando o próprio sentir; e a Rigidez mental, aquela que prefere quebrar a dobrar.

E, completando o cortejo, vêm os pequenos demônios domésticos: o Melindre, que se fere com qualquer sopro; a Amargura, que cobre o mundo com uma película opaca; a Autocomiseração, sempre pronta a narrar a própria tragédia; e o Vitimismo, que transforma tropeços em novelas.

Não são guerreiros nobres, nem soldados bravos. São carregadores de sombras. E cada um deles, quando lhe é permitido entrar, move móveis internos, derruba estruturas, desloca o eixo da vida.

Todos deflagram consequências inconvenientes. São como ecos de um desastre que ainda não aconteceu, mas que já se encontra em terreno fértil quando não cuidamos do próprio território interior.

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Conheça o Jojo

Filósofo nas horas vaga, tem uma curiosidade inata pelo comportamento humano, realizando paralelos muito instigantes entre o ser humano e a evolução das espécies, tema sempre muito presente em todas as suas palestras e cursos, e muito apreciada pelo seu público.

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